Hoje sou verso quente, buscando a frieza da poesia. Hoje sou sonho, amor, desejo. Sou tudo que quis ser um dia. Exatamente do jeito que me planejei. Afinal não há nessa vida, resolução mais santa: de que colhemos exatamente conforme a gente planta.
Eu quero mais é bossa nova. Eu quero mais é carnaval. Quero olhar pra esse teu sorriso, que é tudo o que preciso afinal. Quero a lágrima suave que corre por entre meu rosto enquanto escrevo. Quero ter a energia do rock, e a sinergia do frevo. Hoje eu sou frase, verso, prosa, texto.
E o amanha? O amanhã agente inventa. Bem devagar, sem se preocupar. Detalhadamente em câmera lenta. Porque o destino é um carro que segue firme adiante e que homem nenhum nesta terra consegue guiar teu volante. Hoje eu sou dom Quixote, isso, um cavaleiro andante. Que jamais irá acreditar, diante de seus olhos aflitos e atentos que seus inimigos dragões são simplórios moinhos de vento. Hoje eu sou vírgula, exclamação, interrogação: acento.
Hoje eu sou entonação, impostação, canto lírico e instrumento. Hoje eu sou o que há de mais feliz em toda a natureza. Hoje eu sou o universo e toda sua grandeza. Hoje eu sou a felicidade inteligente dos pobres, e o glamour ignorante proveniente da realeza. Hoje eu sou a luz que me guia, e toda a sua vereda. Hoje sou o sorriso de minhas vitórias, a experiência provinda de minhas derrotas e perdas.
Hoje eu sou o sonho popular, talvez hoje eu seja a maior de todas as realidades:
Pra se ser feliz não existe razão, motivo. Somente necessidade.
E eu decidi necessitar ser feliz.
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