quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Hoje

Se eu morrer hoje quero que o melhor momento da minha vida tenha sido há uma hora atrás, e não ter deixado nada para o amanhã.

Hoje não vou mais reclamar daquilo que não tenho. Como se dizia na Grécia: Se quereres ficar rico, não te preocupas em aumentar teus bens, e sim eu diminuir tua cobiça. Minha vida sempre foi um mar de sentimentos, irracionalidade vivida a flor da pele. Quanto mais se pensa, menos se sabe. Quanto mais se sente, mais se vive em paz. Então eu fico com a segunda opção. Mesmo que essa soe aos ouvidos da grande massa desafinada como uma patética entrega a aquilo que se vai perder. E quando assim se confirmar? Irei desafia-los perguntando: “E no final o que se ganha?”. Não, definitivamente não posso entregar meus minutos preciosos de sangue pulsando nas veias à depressão, ao mau humor, ao descontentamento, a televisão, a tudo aquilo que não sou. Sei, porém, que ainda me falta muitas quimeras. Sei que me falta muitos acordes a canção perfeita. Porem aprendi que não há estrada correta, decisão acertada, seguir sem duvidas a espreita.

Hoje sou verso quente, buscando a frieza da poesia. Hoje sou sonho, amor, desejo. Sou tudo que quis ser um dia. Exatamente do jeito que me planejei. Afinal não há nessa vida, resolução mais santa: de que colhemos exatamente conforme a gente planta.

Eu quero mais é bossa nova. Eu quero mais é carnaval. Quero olhar pra esse teu sorriso, que é tudo o que preciso afinal. Quero a lágrima suave que corre por entre meu rosto enquanto escrevo. Quero ter a energia do rock, e a sinergia do frevo. Hoje eu sou frase, verso, prosa, texto.

E o amanha? O amanhã agente inventa. Bem devagar, sem se preocupar. Detalhadamente em câmera lenta. Porque o destino é um carro que segue firme adiante e que homem nenhum nesta terra consegue guiar teu volante. Hoje eu sou dom Quixote, isso, um cavaleiro andante. Que jamais irá acreditar, diante de seus olhos aflitos e atentos que seus inimigos dragões são simplórios moinhos de vento. Hoje eu sou vírgula, exclamação, interrogação: acento.

Hoje eu sou entonação, impostação, canto lírico e instrumento. Hoje eu sou o que há de mais feliz em toda a natureza. Hoje eu sou o universo e toda sua grandeza. Hoje eu sou a felicidade inteligente dos pobres, e o glamour ignorante proveniente da realeza. Hoje eu sou a luz que me guia, e toda a sua vereda. Hoje sou o sorriso de minhas vitórias, a experiência provinda de minhas derrotas e perdas.

Hoje eu sou o sonho popular, talvez hoje eu seja a maior de todas as realidades:
Pra se ser feliz não existe razão, motivo. Somente necessidade.

E eu decidi necessitar ser feliz.

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