quinta-feira, 27 de junho de 2013

Autoretrato.




Parou e olhou por um minuto para o espelho.!
Estranho como nada do que ouvira durante
 aquele dia que parecia jamais terminar,serviam
 para tirar o descontentamento que tinha consigo mesma.!
Achava-se patética, vazia, sem cor e sem sal.





Passou toda a vida buscando uma perfeição que não era dela:
As melhores festas, nos melhores ângulos para as melhores fotos.!
E por mais glamour que estas tivessem, por mais brilho falso que nelas houvessem.!
Ao final ela iria se sentir denovo, assim:!
Patética, vazia, sem cor e sem sal.!
E não penses que a moça em questão gostava do título de coitada, pelo contrario.!
Repudiava, com todas suas forças a demonstração de fraqueza de qualquer um a sua
volta, e ainda, gritava ao mundo os famosos ícones da autoajuda pop como: "carpe diem"
"sorria enquanto há tempo", "deixe a vida te levar" e o "vá até onde seus sonhos podem
ir".!
Mas isso, tal qual todos seus momentos em meio a multidão (diga-se de passagem: a
multidão não é ninguém, quanto mais olhos vêem nosso exterior, menos olhos captam
nosso interior) sentia-se de novo no meio do teatro em looping que sua ilusória vida a
propunha: !
As melhores festas, nos melhores ângulos para as melhores fotos.!
E quando ela fosse novamente se deparar consigo mesma de frente ao espelho, Numa
espécie de auto-retrato sem filtros de instagram, sem likes e shares. Quando estivesse
de frente do seu reprimido e amargurado eu interior que desfalece em meio ao que os
outros esperam dela e não do que ela mesmo quer de si. Quando ao olhar para si, obteve
a melhor perspectiva de si, que só o nosso olhar é capaz de ter, mergulhou mais uma vez
naquele tsunami de amarguras, naquela tempestade sentimental.!
Ali era ela, nua e crua. Somente ela, mais uma vez:!
Patética, vazia, sem cor e sem sal.

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