sexta-feira, 15 de maio de 2009

Então ela estava lá

Ela até então tinha tido tudo o que queria. As bonecas e a atenção única e exclusiva na infância, os primeiros olhares e admiração de todos na adolescência. Ela não conhecia o sabor amargo e tenebroso da derrota. Aquele vil veneno tenro que desce por nossa garganta quando, ao não alcançarmos aquilo que achamos essencial, se aproxima de nós e nos corrói madrugada adentro.
Se ela quisesse o céu, ela o teria. Se ela quisesse o mundo ela o teria. Quando não podia pagava qualquer preço para ter.
O mundo parecia não só conspirar a seu favor, como parecia obedecer seus caprichos, feito um súdito desesperado a tentar agradar vossa alteza.
Aí foi que ele apareceu. Maltrapilho, desajeitado. Ninguém o levava a sério, muito menos ele próprio. Sorriso bobo, as palavras erradas nos momentos mais errados ainda, ele era tudo que qualquer um não teria como exemplo. Metido a poeta, metido a intelectual, ele achava que o resto não importava, os outros eram o vazio, ao seu redor nada tinha sal.
Mas quando ele a conheceu, pronto.
Nela estavam impressos todos os teus sonhos, todas as suas quimeras. O desejo insaciável pelo belo, pelo inalcançável. Com sua mente farta de idéias tortas começou a traçar uma utopia desapropriada de desejos incontroláveis. Ela ria. Sabia que era ele apenas mais um apaixonado pelo glamour que transpirava de seu corpo.
Mas um dia ela se deparou com o vil veneno da perda. Seu súdito mais fiel estava a se encantar por uma outra mulher. Uma outra mulher tal como ele; Maltrapilha, passageira do trem moribundo da desilusão e da solidão.
Não! Definitivamente ela não poderia perder para uma qualquer. Ela não poderia se submeter a perder, nada pra ninguém.
E aí ela usou de todos os seus atributos com o pobre maltrapilho. Que cego e viciado pelo apego de sua senhora, se aproximou da mulher com quem tinha feito promessas de eternidade...
Sem deixar se questionar, obedeceu aos caprichos de sua senhora: 03 cortes certeiros, cheiro de morte e vazio pelo ar, a morte corria por seus braços ensangüentados que tremiam ao ouvir os últimos sussurros que diziam “Ela nunca irá te amar”
Correu para contar suas boas novas a senhora.
Não deu tempo,
Ela tinha desaparecido sem deixar rastros... Nem um carta, um bilhete que fosse. Para comprovar aquilo que ele já deveria ter entendido:
Não se foge das garras de aço da solidão...

Nenhum comentário:

Postar um comentário