Ela para. Limpa os óculos embaçados pela noite fria.
Eu acendo um cigarro. Ela também. Nisso o “Sound of silence” grita de forma ensurdecedora. Na minha mente, idealizo tudo que deveria ter sido dito.
“O meu mundo é mesmo assim. As coisas sempre vêm intensas. Nunca deu tempo de ser um só. Eu sempre enxergo dragões em moinhos de vento.
Olhe para nós dois. Nós temos tudo para sermos um só. Você é ouro, eu pó. Você é a riqueza da chuva. E eu a petulância do sol. Você é meu lado bom. E eu o que você tem de pior.
Olhe para nós meu bem acredite. Existe em nós o fardo da união. Estar só é mais fácil eu sei. Mas até onde o mais fácil é o caminho mais legal? Até onde vai a profundidade do “ficar por ficar”. Eu vejo muitos saltando nesse abismo. O abismo da superficialidade, o vazio do ego, o vazio do sonho utópico, do dia perfeito. O vazio do censo comum, onde o que o outro diz sobre mim, vale muito mais do que eu quero dizer para o mundo. Eu não meu amor, há muito tempo eu procurei a beleza do caminho mais difícil. A beleza do contradizer. A real beleza inserida nas coisas que “parecem” impossíveis; “Parecem” por que quando a alcançamos, descobrimos que o impossível era viver sem elas.
“Mas junto disso tudo vem as regras”, você me diz. Mas as regras foram feitas justamente para pessoas como nós, quebrá-las. Ir além do limite é simples meu bem. Não há limite para o que se sente. Não há limite nem ao menos há condição. Estamos é condicionados por uma sociedade onde tudo deve ser leve e raso, a desconfiarmos de tudo o que pode nos criar raízes.
Eu quero as raízes meu bem, e todas as dificuldades que se relacionam com ela. Eu quero o sofrimento do não ter. Eu quero o sabor da lágrima que um dia ousará escorrer dos olhos teus. E nesse exato momento eu quero estar ao teu lado amparando seus dias tórridos. E quero você ao meu lado nos meus dias de temporal.
Eu quero foto lado a lado. Quero beijo na praça. Quero sorvete no parque, cinema no shopping, pipoca aos macacos. Mesmo achando tudo isso um saco (como já dizia Raul). Eu sei que tal alcunha não lhe soa doce aos ouvidos. E hei de concordar que isso acontece por você estar comigo. Eu. Esse falso poeta, burro e besta. Besta e Beta. Pois ainda não passei das fases de teste. Eu sou eterno sonhador, idealista. Eu sou de minhas próprias amarguras, eterno alquimista. Pra mim tudo há de ser possível, tudo é meta e tudo que é meta há de ser um dia, conquista.
O que eu sei de verdade, é que até hoje só você foi capaz de me tirar da cela escura onde eu residi um dia. Só você me fez de novo enxergar a luz. Teu jeito é meu guia, teu olhar me conduz. E sei que no final desse caminho(sim todo caminho há de ter um final eu sei) eu nunca mais retornarei as lamúrias do sofrimento. Pois você é meu maior divisor de águas. Meu ponto de partida. Meu caminho mais certo. Realidade abstrata e sonho concreto.
E somente com você.
Eu sou,
Completo.
-Garçom outra pra mim, vai...(infelizmente é só isso que sai...)
vc é totalmente demais.... conseguir transpor assim claramente cada momento!!!
ResponderExcluir"estranho seria se eu não me apaixonasse por vc!"